Estudos e Pesquisas

Estudo Setorial - Desafios e estratégias empresariais para mobilidade sustentável

Estudo Setorial - Desafios e estratégias empresariais para mobilidade sustentável

São crescentes as preocupações da sociedade com os impactos do transporte no meio ambiente, na qualidade de vida em áreas urbanas e nos custos das atividades produtivas e dos serviços.

Os problemas de mobilidade no Brasil geram custos crescentes para toda a sociedade. O tempo perdido nos deslocamentos diários representam custos significativos para indivíduos e empresas, os custos de logística reduzem a competitividade da indústria brasileira e a eficiência dos serviços. Além disso, os impactos sociais e ambientais dos modelos tradicionais de mobilidade elevam as despesas governamentais com saúde, além dos altos custos de longo prazo gerados pela poluição, aumento de emissões de carbono e perdas de biodiversidade.

Os governos, organizações da sociedade e empresas vêm se mobilizando para desenvolver novas soluções para os desafios da mobilidade. O governo e a sociedade brasileira já dispõem de capacidade para elaboração de projetos sofisticados, assim como tecnologias e infraestrutura de ponta para a mobilidade sustentável. Porém, a complexidade dos problemas exige a elaboração de planos integrados de mobilidade envolvendo um grande e diversificado número de atores da sociedade, de áreas de governo e empresas de diferentes setores. O grande desafio é a capacidade de coordenar esses processos, o que depende de lideranças proativas e com visão de longo prazo.

A participação do setor privado nos investimentos em infraestrutura e sistemas de transporte cresceu fortemente na última década, principalmente depois da regulamentação das parcerias público-privadas. Essa mudança institucional permitiu que as empresas privadas passassem a exercer um papel de liderança e indutor de inovação para o desenvolvimento de projetos de mobilidade sustentável. Para isso, empresas começam a desenvolver novas tecnologias, novos modelos de negócios e liderar processos colaborativos que ampliem sua posição competitiva e que, ao mesmo tempo, gere valor para a sociedade.

As estratégias das empresas privadas que vêm sendo colocadas em prática visam, na maioria dos casos, combinar a ampliação de oportunidades de negócios e desempenho financeiro, com a melhoria dos serviços oferecidos para a população e o estímulo ao desenvolvimento econômico das regiões onde elas atuam. Os elementos chaves dessas estratégias são as parcerias com órgãos públicos locais e um forte envolvimento com as comunidades, o que permite às empresas antecipar necessidades e desenvolver soluções pioneiras.

O Uniethos, com apoio da Invepar, produziu uma análise dos desafios e das estratégias empresariais nesse momento de importantes mudanças nos investimentos em infraestrutura e nos mercados de serviços de mobilidade no Brasil. Esse estudo apresenta os desafios da mobilidade, com foco nas maiores regiões metropolitanas brasileiras, faz uma análise dos impactos sociais e ambientais da mobilidade, apresenta iniciativas governamentais e da sociedade civil, mas sobretudo, mostra que existem grandes oportunidades de negócios e analisa como as empresas estão exercendo um papel determinante no desenvolvimento de soluções inovadoras e eficazes para a solução dos problemas da mobilidade.

Os casos empresariais analisados nesse estudo mostram que para estruturar modelos de negócios as empresas precisam compreender em profundidade as demandas por mobilidade, ampliar a capacidade de integrar diferentes serviços e criar parcerias com outras empresas e órgãos públicos. As demandas por mobilidade são cada vez mais diversificadas e dependem das condições econômicas, sociais e culturais de cada grupo social e das condições geográficas, da infraestrutura e das condições de ocupação de solo, principalmente relacionados à distribuição dos locais de moradia e trabalho nas cidades e regiões. Além disso, em cada local, as demandas de mobilidade variam conforme as condições físicas, financeiras, familiares, e relacionadas ao ciclo de vida de cada grupo de usuários. Ou seja, não existem soluções únicas.

Os novos negócios estruturados pelas empresas analisadas nesse estudo buscam atender às múltiplas demandas de mobilidade por meio de sistemas que integram o deslocamento de pedestres e ciclistas com os meios motorizados, que integrem o uso do automóvel com o transporte coletivo e ainda que permitam a integração de diferentes sistemas de transporte coletivo. Essa integração exige das empresas capacidade de gerenciar grande volume de informação, de gerenciar de forma também integrada diferentes negócios e ainda de promover parcerias entre diferentes empresas que operam serviços de transporte numa mesma região. Empresas de mobilidade sustentável são, portanto, empresas integradas à vida social e econômica das cidades e regiões onde atuam. As modernas tecnologias de informação e comunicação têm sido utilizadas como base de vários modelos de negócios de mobilidade sustentável, criam interfaces entre empresas e usuários e estruturam redes sociais que facilitam a tomada de decisão dos usuários.

Cada vez mais, para que sejam viáveis os negócios precisam também levar em consideração os impactos sociais e ambientais, como o congestionamento, a poluição, a segurança no trânsito, e os custos individuais e sociais dos serviços de mobilidade. O estudo apresenta medidas inovadoras que estão sendo adotadas por empresas para reduzir esses impactos.

O estudo mostra que negócios de mobilidade sustentável resultam da combinação de três objetivos simultâneos. O primeiro é a oferta de serviços seguros, confortáveis, rápidos, disponíveis e acessíveis. O segundo objetivo é fazer com que esses serviços e as infraestruturas necessárias tenham impactos na sociedade e no ambiente cujo balanço final seja positivo. O terceiro objetivo é que sejam negócios lucrativos. A combinação desses objetivos depende de uma efetiva integração entre as áreas que normalmente se relacionam pouco nas empresas, como as áreas de gestão de negócios e as de sustentabilidade. É necessário também que os negócios sejam desenhados e monitorados com o uso de novas formas de relacionamento com os usuários, garantindo o atendimento adequado das necessidades dinâmicas e diversificadas de mobilidade da população. Por fim, as empresas precisam criar novas métricas de forma que possibilitem a verificação do desempenho financeiro e do desempenho social e ambiental.

Clique aqui para baixar o documento em pdf

Uniethos  |  Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.